01
mar
10

06
jan
10

Minha grama também é bem verdinha

Há tempos eu ando chateada por não conseguir escrever nada de interessante em algum dos meus blogs, seja este, onde falo coisas particulares, seja o da revista + movimento, ou seja o Total Kunst|BR, onde falo das minhas produções.

Bem, ve-se que possuo três blogues e os três estão parados. Sem contar o da banda Valente que é a que eu produzo. Sim, eu estava entediada. Sem nada de interessante pra fazer ou escrever.

Mesmo lendo aí em cima, vendo que faço mil coisas ao mesmo tempo, eu estava entediada.

O que falta para dar um up na vida? Li, recentemente, um artigo da Martha Medeiros, uma mulher que aprendi a admirar pelo simples fato de escrever tudo o que sente e pensa. Sim, muitos podem achar que é clichê o que ela diz, mas se fores analisar, é exatamente como ela descreve, a forma que vivemos.

Enfim… no cujo artigo, ela comenta sobre como admiramos a grama do vizinho, de como a festa no outro apartamento é mais emocionante e etc, etc, etc… Não damos valor ao que temos e sempre achamos que os outros são os que tem mais e melhor.

Talvez tenha sido esta sensação que senti durante dias. Não queria escrever, não queria fazer nada. E nisso, não me dei conta do quanto tenho a fazer. De quantas coisas me dão prazer ao realizar.

E isso prova ainda mais que é preciso muito pouco para se chegar à felicidade. Ficar sozinho, muitas vezes não é problema, pelo contrário: é solução. Sim, porque sozinho, tu podes te conhecer melhor, conversar com teus botões, saber se estás fazendo certo ou errado, ou simplesmente não fazer nada.

Olhamos para o lado e sempre achamos que o vizinho está mais feliz e mais estruturado, seja emocionalmente ou financeiramente. Mas não, ele também tem lá suas aflições e provavelmente também irá achar que a grama do teu jardim é mais verde.

Pronto! Resolvi escrever. Espero não perder o pique, pois tudo que desejei na virada de 2009 para 2010, é que eu não perca o entusiasmo de viver.

“viver é bom, nas curvas da estrada… solidão, que nada!”

11
dez
09

Rotina

Nossa, entrei aqui e fiquei surpresa com a data do último post: 27/10. Mais de um mês passado e muita coisa aconteceu. De lá pra cá, foram dois shows com a Valente e a Bloco, em São Leopoldo e Ivoti, respectivamente. E ainda o show da Sabbra Cadabra. Que doidera! Trabalho durante a semana num escritório, mas exerço a função de pau-pra-toda-obra.

Hoje, terá um show em comemoração aos 10 anos do THE BEST OF METAL, primeiro show que fiz na minha vida, em 1999. Sim, 10 anos! Muita coisa!

E semana que vem, tem Izmália em Ivoti, que eu também estou à frente.

Acordo 5h50 da manhã, vou pro trabalho e durante o dia são muitos quilômetros rodados entre Ivoti/Lindolfo Collor, Ivoti/Dois Irmãos, Ivoti/Novo Hamburgo, Ivoti/Picada Café, dependendo da situação. Cansativo pra caramba! Além disso, enquanto não preciso sair dou uma  driblada no serviço do escritório, fico na net, enviando informações dos shows para imprensa. Lidando com a Gabi, que faz as artes, com o Ricardo que faz os banners, com o Moris que faz os cartazes e flyers. E quando tudo isso está pronto, preciso utilizar o horário do meio-dia pra buscar o material.

Feito isso, no meio tempo em que trabalho na empresa, vou armando estratégias para que tudo saia bem, que eu tenha apreoveitamento de tempo e dinheiro, pra que tudo fique certinho no final das contas (literalmente).

Com flyers e cartazes no carro, banners e espírito roqueiro, vou divulgar os eventos deixando material nos lugares em que penso ter potencial de público. E confesso que essa pode ser a melhor parte ou a pior, dependendo do meu estado da minha pilha.

A canseira está batendo e tem show amanhã e sexta-feira que vem. Fico apreensiva em função do tempo, do público, do equipamento de som, das bandas (uma delas cancelou o show de hoje).

Voltando a rotina diária, ao meio-dia, quando consigo, almoço na casa da minha mãe e aproveito para ficar um pouco mais com a pessoa mais importante da minha vida que é minha filha. Mesmo assim, depois do rango, não aguento e deito no sofá. Mesmo faltando 15 minutos pra minha hora, faço isso, pois de tão cansada que ando, 15 minutos parece ser uma noite inteira.

À tarde, é aquela rotina de novo, busca e leva serviço, entra e sai do carro, emite nota, atende telefone, corre corre. Isso quando não tem dentista e psicóloga da filhota entre os horários.

Finalmente, depois de buscar ela lá na casa da minha mãe, vou pra casa e inicio a terceira jornada. Entre um e-mail e outro, dou uma varrida na casa, coloco as coisas no lugar, vou pro banho, dou o que comer pra filhota, como alguma coisa e volto pro computador.

Meia-noite, vou pra cama, com os braços doendo, as costas também e deito na cama. Sono é o que não falta, o que falta é …

27
out
09

Aqui tb, pô

cartaz elton pradi

 

15
out
09

Entenda-me (e depois mais alguma coisa)

Iria deixar o vídeo desta canção, pura e simplesmente neste post. Mas isto, antes das 13h de hoje, quando tive de ir a Picada Café, mais ou menos  15km daqui.

Dia chuvoso, nem um raio de sol pra iluminar o dia. Pelo contrário, ele estava cinza,  nebuloso, úmido. Não quis ir, de primeiro momento. Justamente pelo dia estar assim: feio. Mas fui, era a trabalho.

Fui seguindo por Presidente Lucena e já antes mesmo de chegar no meio do caminho, minha emoção ficou a flor da pele. Os plátanos extremamente verdes, iluminados com o pingos de água que caiam do céu. Reduzi a velocidade em meio a tantas e tantas curvas. Quando percebi, não andava com o velocímetro marcando mais de 60 Km/h.

Pelo caminho, além daquele verde exuberante, as flores, cada qual com seu colorido. Passei pelo arroio Veado, em Presidente Lucena, pelo rio Cadeia, em Picada Café e por vários córregos límpidos com sua água cristalina e mais brava que o normal. O barulho dela soava como música. Tão delicada e sutil quanto a música que escolhi para este post logo cedo.

No meu seguir, aos 60Km/h não deveria acabar tão cedo. Com a pista vazia, pude me dar ao luxo de parar no  meu da rua e contemplar por alguns segundos o córrego que cortava um potreiro arborizado. Aquelas valas feitas pelo homem, mas esculpida pela força da natureza. Tão clara, tão limpa, tão pura aquela água. As flores de campo, colorindo aquele gramado, algumas pedras em meio ao terreno. Formatos belos… imaginei-me sentada numa delas, com os pés dentro daquela água, num dia de sol. Refrescante!

Queria que o tempo parasse, e que eu pudesse realmente alcançar este desejo. Em pensar que, quando criança, aquilo tudo era parte de mim, da minha infância, das minhas brincadeiras com os amigos. Cheiro de bergamota descascada, ainda em cima da árvore. Pés embarrados de brincar de futebol no potreiro para depois lavá-los nos riachos cheios depois das chuvas.

É, a saudade nos traz coisas boas mesmo. A imagem da natureza, aquele verde vivo, em várias tonalidades, dependendo da espécie da árvore, a pista vazia e cheia de curvas sinuosas, as plantações de alfaces com suas folhas delicadas.

Eu precisava complementar este post. Ficará na minha lembrança um dia lindo, mesmo que não do meu agrado, de maneira geral, pois adoro o sol. Mas a chuva, lavando sua natureza, limpando as cores e deixando-as ainda mais firmes; e o barulho e a lentidão das águas dos rios e arroios pelo caminho me deixaram imensamente feliz. Sai, por algumas horas de meu mundo para entrar num cheio de graça e leveza.

Limpei-me com a chuva, alegrei-me com as cores, emocionei-me com a música e sorri pela vida!

14
out
09

Penso: logo sou

Penso, logo existo –

É neste LOGO que tropeço.

Eu penso e eu sou; haveria mais verdade em:

Sinto, logo sou – ou mesmo: Creio, logo sou – pois isso equivale dizer:

Penso que sou.

Creio que sou.

Sinto que sou.

Ora, desta três proposições, a última apresenta-se a mim como a mais verdadeira, a única verdadeira; porque, enfim, penso que sou, talvez não implique que eu seja. Nem tampouco: creio que sou. Há tanta ousadia em passar de uma  a outra quanto em fazer do “creio que Deus é” uma prova da existência de Deus. Ao passo que: “Sinto que sou…” – Aqui ou parte e juiz. Como me enganaria aqui?…

… Penso: logo sou.

E igualmente: sofro, respiro, sinto: logo sou. Pois se não se pode pensar em ser, pode-se ser sem pensar.

Os Frutos da Terra – André Gide

17
set
09

Um choro de boa noite

lagrimas1

Hoje pela manhã, lendo a revista Claudia deste mês, depois de ter lido todas as revistas da mesinha da sala de espera do consultório da psicóloga, li um artigo da Danuza, dizendo que as mulheres não choram mais.

Eu não choro mais com a mesma frequencia de antes. E o verbo chorar foi muito repetido esta semana para mim. Quase todos os dias, ouvi esta palavra da boca de alguém que eu estava em contato, ou que peguei por ai falando sobre o assunto.

Na mesma revista, uma matéria sobre o Hospital de Câncer de Uberlândia, Minas Gerais. Falava sobre um grupo de voluntários que realiza o desejo, ou melhor, o último desejo dos pacientes terminais com câncer.

Uma voluntária contou em sua entrevista que um dos pacientes teve como último desejo se casar. Sim, namorava uma agricultora que não tinha estudo e seu desejo era casar com ela, antes de morrer. E como diz na própria matéria, não foi um repente romântico, mas sim, uma preocupação dele para com ela. Ela, sem estudo, sem trabalho fixo e carteira assianda agora tem um futuro garantido com a pensão que seu amado lhe deixara. Sim, chorei neste momento. Se isso não é amor, como definir esta palavra então?

Lembrei de muitos episódios em que eu choramingava pelos cantos. Me considero uma pessoa sensível. Mas o que está acontecendo que não choro mais?

Talvez seja a camuflagem que usava para desestressar. Algumas coisas que me faziam enxergar tudo mais brando, mais tranquilo. Uma certa dopagem em baixa dose.

E, coincidentemente hoje mesmo, conversando com um amigo, disse que os fluoxetinas estão na gaveta há mais de dois meses. Sinto perfeitamente que a vontade de chorar surge às vezes. Mas me sinto mais viva, menos covarde, menos camuflada dos meus sentimentos, mais honesta comigo mesma.

Danuza falou das mulheres que não choram mais. Dizia no artigo que as mulheres querem ser valentes como seus homens hoje em dia. É verdade. Mas confesso que, nunca senti tanta faltade ser chamada de sexo frágil.

Talvez Danuza não tenha lembrado que muitas mulhres (e homens também) têm usado de métodos “fortificantes” para enfrentar seu cotidiano. E, consequentemente se sentirem mais fortes e com menos vontade de chorar.

Tenho certeza que os voluntários do Hospital do Câncer de Uberlândia, em suas realizações diárias a fim de amenizar a dor de pessoas com data marcada para partir daqui também choram. Mas devem também chorar lágrimas de dever cumprido.

Hoje, comprovei que meus sentimentos e minha sensibilidade estão vivos. Uma leitura, um depoimento me deixaram emocionada.

Chorar de alegria também faz bem e estou louca pra olhar pro rostinho da minha filha, enquanto dorme e encher os olhos de lágrimas… Vou aproveitar que ela está dormindo e vou lá, me emocionar um pouco e quem sabe, chorar.

Boa noite!